A DOR QUE MACHUCA É A DOR QUE ENSINA.

POR MAIS QUE CHORES E SOFRAS SEMPRE HAVERÁ UMA SAÍDA.

O TEMPO MUDA AS PESSOAS, MAS AS PESSOAS MUDAM COM O TEMPO.


ELMAR - O CONSELHEIRO CERTO PARA AS HORAS INCERTAS.


20/09/2015

NAS PEGADAS DE UM DEUS QUE CREIO




        A afirmação filosófica de que não pode haver efeito sem causa é aceita por qualquer pessoa de razoável, de bom senso e de mediana boa vontade. A negação ou mesmo a dúvida em relação a tal verdade seria como que destruir a própria inteligência. Não se admite, por exemplo, possa alguém negar a existência da luz quando a lâmpada é acesa – seria um absurdo, muito embora não esteja “vendo” a energia elétrica, mas tão somente o seu efeito, que é a luz.

Entretanto, existe uma atitude insólita em muitas criaturas humanas: ainda que, em cada esquina da vida, possam descobrir uns cem números de efeitos da existência de Deus, de provas da sua ação, não obstante relutam em admiti-lo, em confessá-lo, talvez, quem sabe, pelo comprometimento que, sentem-no, tal reconhecimento lhes traria.

Em primeiro lugar, as pessoas, nessa encruzilhada da fé, tem medo de perder sua liberdade. Em segundo lugar, desinteressam-se de Deus, na maior parte das vezes, porque estão muito interessadas no mundo. Não que devamos, realmente, desinteressar-nos do mundo em que vivemos, mas sim porque não podemos deixar embutir nesse mundo, de tal forma que percamos a visão e o sentido de deus, pois, se isso estiver acontecendo é porque estamos perdendo o sentido da vida e a razão da nossa própria existência. Por outro lado, o ser humano só é livre, verdadeiramente, em Deus, não só porque Deus é a verdade e somente a verdade nos liberta, mas porque, na medida em que negamos a Deus, tornamo-nos escravos das nossas paixões.

Não creio que a inteligência e a cultura possam ser razões para que alguém se afastar de Deus. Mas acredito firmemente que pessoas inteligentes e cultas podem afastar-se de Deus, levadas pelo orgulho ou pela luxúria. A inteligência e a cultura só aproximam as criaturas do seu criador.

O homem, em contato com as maravilhas da criação, tornou-se cientista, mas, dominado pelo orgulho, foi capaz de julgar-se o próprio criador das mesmas… depois as páginas do tempo se foram dobrando e a semente do mal se alastrou. Havia um enfoque errado da vida, uma maneira de ser culposa e, nessa atmosfera de mentira em seu coração, o homem começou a ter uma crescente dificuldade para perceber as pegadas de Deus nos caminhos do mundo e a sua voz nas profundezas do seu coração.

Há um abismo entre admitirmos que uma mosca foi criada por Deus – não importa se tenha havido evolução ou não – e confessarmos que nós fomos criados por Deus. Enquanto que o primeiro fato não traz, pelo menos aparentemente, consequências para a nossa maneira de proceder, o segundo, mesmo considerando-o somente à luz da razão natural, isto é, ignorando a riqueza da revelação, coloca-nos, a cada um, diante de Deus, assim como um filho diante de seu pai, e leva-nos à condição de interrogantes: Senhor, que queres de mim? - por que me destes a existência? - que lugar ocupo nos teus planos? - porque me deste esta capacidade de raciocinar? - porque pusestes em meu ser este desejo de viver para sempre”? - porque, senhor, tenho a sensação de que existe algo entre o meu ser e o teu? - qual o mistério que me separa de ti? Todas estas interrogações nos levam a acreditar que existam mais descrentes sentimentais do que, propriamente, racionais. É pela razão que se chega a Deus, assim como é por ela que jamais se poderá abandoná-lo. Podemos ser induzidos a erro, na busca de Deus, pelo nosso sentimento e pelas nossas paixões. Não pela inteligência e, quando existe no ser humano essa inversão de valores, isto é quando os sentimentos é que, colocando-se acima da inteligência, comandam a cena da vida, é sinal de que algo está errado.

O sentimento, Deus colocou em nossa alma para que o pudéssemos amar e amar-nos uns aos outros, mas nunca para que, por ele, pautássemos todos os atos da nossa vida.

Eu diria que a primeira operação a que uma alma de boa vontade deverá proceder em seu próprio benefício, há de ser o afastamento das resistências sentimentais que a impedem de crer e que, no fundo, são originadas pela desobediência às leis divinas e à própria consciência, desde tempos muito remotos conhecida como pecado.

Existe um momento na vida em que somos, por assim dizer, postos numa encruzilhada: um dos caminhos nos leva ao amor pela verdade; o outro, quase sempre disfarçado, conduz-nos ao amor desordenado de nós mesmos Ou nossas manias dominam nossas paixões e desejos inconfessados ou perturbamo-nos; turva-se a nossa visão, e nossa maneira de pensar torna-se distorcida. Desde este momento deixará de haver uma verdade que se ama e confessa, mas apenas uma verdade de conveniência” existirá. Desfigurou-se a sinceridade da alma e, dai para diante tudo será apenas como que uma caricatura da verdade. É uma violação do espírito e é difícil reconhecer os limites de resistência, após os quais uma tal cegueira espiritual se tornará irresistível…

Acredito que as conversões que se operam em pessoas há muito afastadas dos caminhos da fé e que, sinceramente, se rendem à verdade, representam verdadeiros milagres da graça de Deus – mistérios do seu amor. Os tempos em que vivemos são difíceis. Parece que vamos perdendo Deus e ficando sós em meio à caminhada. Terrivelmente sós.

O jugo da sensualidade desenfreada é triste e humilhante. Contudo, aquele que se deixa escravizar pelo orgulho envereda por um caminho muito mais perigoso e trágico. O orgulhoso parece viver numa noite sem fim, onde o encontro com Deus à medida que o tempo passa, é cada vez mais difícil.

Tirai-nos Deus e seremos mais do que mortos – seremos cegos a vagar em busca da luz; como órfãos a clamar por um pai que jamais voltará; como seres alienados que apenas executam a marcha tétrica dos que perderam a razão e a vontade. A ausência de Deus é como que a noite para as almas cuja esperança se perdeu em densa treva.

É longo o caminho da libertação espiritual… as resistências, porque antigas, parece que estão incrustadas e, dir-se-ia, arrancá-las pode ser tão violento, às vezes, que representa como levar pedaços da própria alma… mas é preciso libertar-se; é preciso respirar, novamente, o ar puro das planícies e das montanhas – lá, bem longe de todo o egoismo humano, de toda a escravidão, bem perto da morada de Deus.

Nossa alma sempre quer mais. Somente em Deus encontramos nosso habitat e nos completamos. O homem foi feito para coisas mais altas. Seu olhar se aprofunda no universo e seu espírito quer abraçar o tempo e o espaço.

Eis o que somos nós: caminhantes que levam em si mesmos o mistério de uma saudade infinita… peregrinos em busca do amor, do verdadeiro amor. Somos ao mesmo tempo, mendigos do amor e mensageiros da esperança. Somos alguém, enfim, que caminha… que caminha em busca de Deus

Elmar