A DOR QUE MACHUCA É A DOR QUE ENSINA.

POR MAIS QUE CHORES E SOFRAS SEMPRE HAVERÁ UMA SAÍDA.

O TEMPO MUDA AS PESSOAS, MAS AS PESSOAS MUDAM COM O TEMPO.


ELMAR - O CONSELHEIRO CERTO PARA AS HORAS INCERTAS.


28/07/2014

O QUE É O MEDO DA MORTE



Palavras dão medo. E me pergunto se a consciência não tem necessidade deste medo – no mais profundo dela mesma. Isso explicaria a razão dela ter sido sempre mantida e alimentada pelas religiões, que são consideradas como refúgios e tranquilizantes. Elas mantêm o medo impedindo a consciência de se enxergar realmente. Elas interpõem, entre a consciência e a realidade, o véu das teologias. Esse problema é ao mesmo tempo profundo e vasto. Procuremos abordá-lo, por assim dizer, tateando os diversos lados. 

O medo é tempo e pensamento. O pensamento tanto dá continuidade ao medo quanto ao prazer. Esse fato é simples: ao pensar no objeto do nosso prazer, atribuímos ao prazer continuidade, e fazemos o mesmo com o medo, ao pensar no objeto de nosso medo. Se, ao contrário, encontramos face a face o objeto do nosso medo, ele deixa de existir.

– Como assim?

Falo do medo psicológico, não do medo de um perigo físico que procuramos afastar, que é natural. Considere o medo da morte. Em que consiste exatamente? Dividimos a totalidade do fenômeno vital em vida e morte. A vida é conhecida: da morte, no entanto, não sabemos nada. Temos medo do que não conhecemos ou temos medo de perder o que conhecemos? É evidente que vida e morte são dois aspectos do mesmo fenômeno. Se deixamos de considerá-los como dois fenômenos diferentes, não existe mais conflito.

Mas não existe um medo fundamental? Não. O medo é sempre medo de alguma coisa. Examine este assunto bem atentamente e verá isso. Todo o medo, mesmo inconsciente, é o resultado de um pensamento. O medo geralmente difundido em todos os domínios e o medo psicológico, no interior do ego, são sempre o medo de não ser. De não ser isso ou aquilo, ou simplesmente de não ser. A contradição evidente entre o fato de tudo que existe ser transitório e a procura de uma permanência psicológica – eis a origem do medo. Para libertar-se deste medo, devemos explorar a ideia de permanência na sua totalidade.

E assim abordamos um dos problemas principais: o da morte. Para compreender esse assunto, não verbalmente mas de fato, para penetrar realmente o fato da morte, devemos nos despir de todo o conceito, de toda a especulação, de toda crença a respeito disso, porque qualquer ideia que possamos ter foi gerada pela morte. Se nós dois não temos medo, por exemplo, podemos corretamente o problema da morte. Não perguntaremos o que sucede 'depois' mas analisaremos a morte enquanto um fato. 

Para compreender o que é a morte, precisamos abandonar a atitude de mendigos que tateiam nas trevas. Será que você e eu estamos na condição de quem não procura saber o que existe 'depois da morte' mas que pergunta o que é a morte? Percebe a diferença? Se perguntamos o que existe 'depois' é porque não indagamos o que ela é. Estamos em condição de fazer esta pergunta? Podemos verdadeiramente indagar o que é a morte senão indagamos antes o que é a vida?



Elmar