A DOR QUE MACHUCA É A DOR QUE ENSINA.

POR MAIS QUE CHORES E SOFRAS SEMPRE HAVERÁ UMA SAÍDA.

O TEMPO MUDA AS PESSOAS, MAS AS PESSOAS MUDAM COM O TEMPO.


ELMAR - O CONSELHEIRO CERTO PARA AS HORAS INCERTAS.


21/05/2014

O QUE PENSO DA IDEIA E DO FATO




Eu falo a respeito do conflito e sobre como o conflito embota a mente. Desejo apreciar este mesmo problema de um ponto de vista diverso, porque assim me parece que a maioria de nós tem ideias que se tornam muito mais importantes e mais significativas do que a realidade.

Vivemos num mundo de ideias totalmente separadas dos fatos tentando continuadamente ligar o fato à ideia. E uma das causas de conflito é esta nossa tentativa de aproximar o fato da ideia . Por que se tornaram tão importantes as ideias, os conceitos, as fórmulas?

Numa auto-observação se vai descobrir que as ideias, o que deveria ser os conceitos intelectuais, as fórmulas intelectuais, são muito mais rigorosos, muito mais importantes do que o viver real – aquilo que está ocorrendo. Você vai descobrir seguramente como as ideias usurparam completamente os domínios do pensamento. Nós não nos estamos ocupando com ideias, porque estas palavras nada tem a ver com ideias. O que nos interessa é a compreensão do fato que é a vida com todos os seus sofrimentos, angústias, confusão, ambição, temores; suas profundezas, sua disciplina e também sua corrupção.

Estamos procurando compreender a vida, não em termos de ideias, porém realmente. Compreender a vida para ver senão podemos livrar-nos das suas agitações, que tantas ansiedades nos causam, que nos fazem sentir “culpados”, e ver também senão poderemos eliminar o medo.
Porque é que as ideias se enraízam em nossa mente? Porque, em vez das ideias , não se toma Será porque não somos capazes a energia necessária para enfrentar o que é que as teorias se tornam mais significativas do que o fato? Será porque não somos capazes de compreender o fato, ou não nos sentimos capazes de enfrentá-lo, ou temos medo de fazê-lo? Nessas condições, as ideias, as especulações, as teorias constituem uma via de fuga ao fato. Procure, aplicar o que estou dizendo a vocês mesmos; não se limitem a ouvir.

O que se está dizendo nenhum valor tem em si mesmo; mas tem valor, pelo menos assim parece, quando podemos aplicá-lo a nós mesmos e, pela observação direta de nós próprios, “experimentar” as coisas que se estão dizendo. Do contrário, estas palavras serão totalmente inanes, sem significação. Acontece que somos incapazes de enfrentar fatos e, por conseguinte, as ideias, em todos os níveis da existência, nos oferecem meio de fuga?

Os fatos não podem alterar-se; não importa o que vocês façam, os fatos permanecem. Vocês podem fugir, fazer todas as coisas imagináveis; os fatos lá estão – o fato de se ser irascível, o fato de se ser ambicioso, o fato de se ser libidinoso, dúzias de fatos.

VIVER SEMPRE COM O FATO: 

A verdade pode-se reprimi-los, pode-se “transmutá-los” - o que é também uma espécie de repressão – pode-se controlá-los; mas eles só são reprimidos, controlados, disciplinados, por meio de ideias, porém unicamente com fatos.

As ideias não nos gastam a energia? As ideias não embotam a mente?
Pode se ser muito sutil no especular, no citar; mas, evidentemente, é uma mente embotada aquela que cita, aquela que muito leu e faz citações a esse respeito.
É possível vivermos todas as horas, todos os minutos, com fatos?

Não sei se já alguma vez você tentou isso. Viver com o fato – aquilo que realmente é – e não ter, assim, nenhuma contradição.
Quando se vive com o fato, elimina-se de um golpe o conflito do oposto e, por conseguinte, libertam os fatos de suma importância? Para a maioria de nós, a contradição é um terreno extraordinário, no qual a mente fica aprisionada.

Desejo fazer uma coisa, e faço outra completamente diferente, se enfrento o fato - “o desejar fazer a coisa – não há contradição; e, por conseguinte, de um só golpe elimino, de todo, a ideia do oposto, ficando minha mente então toda interessada em o que é e na compreensão do que é
Todos nós temos medo, de uma ou de outra forma. Não nos interessa aquilo de que temos medo, não é disso que estamos tratando; o que interessa é o medo, não o medo da morte, o medo de perder coisas, emprego, e mil coisas. Estamos interessado no medo. Pode-se “viver com o fato” - o medo – sem procurar fugir dele, sem criar o oposto e, dessa maneira, embotar a mente com conflitos? Temos capacidade para “viver com o medo” e essa capacidade vem com o tempo? A capacidade para enfrentar o medo é questão de desenvolvimento, de tempo? Eu tenho de enfrentar o fato, que é o medo. E quando enfrento o medo, elimino todo o conflito oposto. O próprio ato de enfrentar o medo criará sua peculiar capacidade, sem que eu tenha necessidade de desenvolvê-la?

O medo é uma coisa extraordinária. Quase todos nós temos medo de uma coisa ou outra. O medo cria ilusões; o medo nos faz suspicazes, arrogantes; o medo nos leva a buscar toda a sorte de refúios, todo gênero de estúpidas virtudes, moralidades. E eu desejo enfrentá-lo e não fugir dele. Ora ,o que é esse estar cônscio do fato?

O fato é o medo, e estou cônscio dele. Que significa esse percebimento? Toda escolha – não devo ter medo, isso não deveria ser, aquilo deveria ser, ou outra escolha qualquer – é negada no momento que enfrento um fato. O percebimento é o estado em que enfrentamos o fato em que não há escolha.

Percebimento é aquele estado da mente que observa uma certa coisa sem condenação ou aceitação, que enfrenta simplesmente a coisa tal como é. Quando se olha uma flor não botânica, vê-se então a totalidade de formas se a nossa mente esta toda ocupada com conhecimentos botânicos relativos à flor, não se vê a flor totalmente. Ainda que se tenha conhecimento da flor, se esse conhecimento ocupa todo o campo mental, nesse caso não se esta olhando a flor em sua totalidade.

Assim olhar um fato é estar cônscio.
Nesse percebimento não há escolha, não há condenação, gosto ou desgosto. Mas, em geral, somos incapazes disso, porque tradicionalmente, profissionalmente, de todas as maneiras, fomos educados para condenar, aprovar, justificar; tal é, pois o nosso fundo.

Elmar